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domingo, 11 de outubro de 2015

Conheça as pessoas mais ricas da História

Dinheiro, terras, impérios, posses e outros bens. Tudo isso deve ser levado em conta quando queremos criar uma lista dos 10 seres humanos mais ricos da História. É uma tarefa extremamente complexa e árdua fazer um ranking desse tipo, visto que precisamos lidar com personalidades históricas de praticamente todas as eras pelas quais a humanidade passou, inclusive de épocas em que o capitalismo – essa “religião” cujo Deus é o dinheiro – sequer existia.

Bill Gates, com uma fortuna estimada em R$ 297 bilhões, ostenta apenas a nona colocação na comparação histórica.

Assim, uma série de economistas e historiadores foi consultada para tentar definir com uma proporção a mais precisa possível quem foi a pessoa mais rica da História. Eles utilizaram métodos de alta complexidade e levaram em conta inúmeros fatores para definir a lista que veremos a seguir.

Ela inclui de imperadores a homens de negócios e tem como primeiro colocado uma figura pouco conhecida, pelo menos no mundo eurocêntrico no qual vivemos. Bill Gates, o único da lista ainda vivo e atual homem mais rico do mundo – com uma fortuna estimada em US$ 79,2 bilhões, cerca de R$ 297 bilhões – ostenta apenas a nona colocação na comparação histórica. Confira a seguir os 10 homens mais rico de todos os tempos.

10. Gengis Kahn



Considerado um dos líderes militares mais bem-sucedidos de todos os tempos, ele encabeçou o Império Mongol por apenas 21 anos, de 1206 a 1227, mas fez com que ele fosse o reino de maior extensão territorial da história da humanidade, indo da costa leste da China até a Europa.

Diferentemente do que acontecia em muitos exércitos conquistadores na Idade Média, tudo que era pilhado pelos soldados mongóis era inventariado e absorvido pelo império, o que tornou a fortuna de Gengis Kahn uma das maiores de todos os tempos. Os itens obtidos em guerras, porém, eram depois distribuídos igualitariamente entre os militares e seus familiares, mas uma boa parte ficava para a fortuna pessoal do imperador.

9. Bill Gates




O único participante vivo dessa lista, Bill Gates é um dos personagens mais importantes à frente da revolução tecnológica pela qual a humanidade passou na segunda metade do século 20 e começo do século 21, com a introdução dos computadores pessoais domésticos e da internet. Após ter deixado o cargo de CEO da empresa que fundou, a Microsoft, Gates tem se dedicado à filantropia e a outros tipos de negócios e investimentos.

8. Alan, o Vermelho





Personagem da História Medieval pouco conhecido pelo público geral, Alan, o Vermelho viveu entre os anos 1040 e 1089 e foi companheiro do rei Guilherme I durante a conquista normanda da Inglaterra. Posteriormente tornado conde de Richmond, sua riqueza foi calculada em £ 11 mil, o equivalente a 7% do lucro líquido de toda a Inglaterra na época. Isso seria equivalente a mais de £ 81 bilhões hoje, algo em torno de R$ 465 bilhões.

7. John Rockefeller





John Rockefeller foi um dos homens mais ricos do mundo na virada do século 19 para o 20. O magnata americano investiu fortemente na nascente indústria do petróleo e no ano de 1880 sua empresa, a Standard Oil, controlava 90% de toda a produção americana do “ouro negro”. Sua fortuna, estimada em US$ 1,8 bilhão, cerca de R$ 6,7 bilhões no ano de 1918 era equivalente a 2% da produção econômica dos Estados Unidos.

6. Andrew Carnegie





Andrew Carnegie foi um imigrante escocês que fez fama e fortuna nos Estados Unidos na indústria do aço na virada do século 19 para o 20. Uma de suas empresas, a Carnegie Steel Company, foi vendida em 1901 para J. P. Morgan pelo valor impressionante de US$ 480 milhões, equivalente hoje em dia a mais de US$ 310 bilhões, cerca de R$ 1.1 trilhão. Durante os últimos 18 anos de sua vida, Carnegie doou o equivalente a US$ 13,7 bilhões, em torno de R$ 51 bilhões, para fundações de caridade e universidades.

5. Josef Stalin




O secretário-geral do comitê central do Partido Comunista da União Soviética de meados dos anos 1920 até sua morte em 1953 poderia não estar nesta lista caso apenas suas posses pessoais fossem levadas em conta. Porém, a dificuldade de historiadores e economistas em separar sua riqueza pessoal da riqueza do país que comandou acaba colocando Stalin em quinto lugar entre os mais ricos da História.

Encabeçando um país que representava 9,6% do PIB global, Stalin tinha controle total sobre uma produção que representaria hoje em dia nada menos do que US$ 7,5 trilhões, cerca de R$ 28 trilhões. Sua colocação nessa lista pode ser bastante questionável, mas sem dúvida ele foi um dos homens mais poderosos do planeta enquanto esteve à frente da URSS.

4. Akbar, o Grande




Também conhecido como Akbar I, ele foi o terceiro imperador mongol da Índia e descendente direto da dinastia Timúrida. Durante seu reinado no século 16, seu império era responsável por nada menos do que um quarto do PIB mundial, com uma renda per capita comparável à Inglaterra elisabetana e com uma classe dominante cujo estilo de vida extravagante deixaria a sociedade europeia com inveja.

3. Imperador Shenzong





Shenzong, o terceiro imperador da dinastia Song do Império Chinês, governou no século 11 uma nação que contribuía com quase 30% do PIB global em seu auge. Os principais motivos para esse acúmulo enorme de riquezas foram as grandes inovações tecnológicas feitas pelo Império Chinês e uma habilidade à prova de falhas na coleta de impostos.

2. Otaviano Augusto



O imperador Caio Júlio César Otaviano Augusto, primeiro governante do Império Romano, reinou do ano 27 a.C. até o ano 14 d.C. a civilização que mais influenciou (e ainda influencia) de todas as maneiras possíveis toda a sociedade ocidental da Terra. Detentor de uma soma entre um terço e um quarto do PIB mundial, o Império Romano foi um dos reinos mais extensos da terra e seu primeiro líder possuía como fortuna pessoal o equivalente a US$ 4,6 trilhões, cerca de R$ 17,2 trilhões.

1. Mansa Musa



Musa I foi o imperador (tradução do termo “mansa”) do Império Mali, no oeste da África, em meados do século 14. Personagem pouquíssimo conhecido na historiografia ocidental, Musa I foi o líder do reino que mais produziu ouro na História. É muito complicado estimar o tamanho da riqueza de Musa I, porém, os relatos de seus feitos podem servir como indicador da imensidão de sua fortuna.

Em sua peregrinação para Meca, Musa I levou dúzias de camelos que carregavam centenas de quilos de ouro. Seu exército possuía cerca de 200 mil homens, incluindo 40 mil arqueiros. Seus gastos no Egito teriam causado uma grave crise econômica no país e historiadores relatam imagens do governante usando cetros, coroas, taças e até um trono de ouro.

Porém, a grande prova de que sua riqueza é a maior que uma única pessoa já possuiu é a dificuldade de as pessoas relatarem essa quantidade. Quando ninguém consegue sequer compreender o quão rico você é, é porque você de fato tem muito dinheiro.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Por que 1º de maio virou o Dia do Trabalho


A data foi estabelecida em 1889 pela Segunda Internacional Socialista, um congresso realizado em Paris que reuniu os principais partidos socialistas e sindicatos de toda Europa. Ao escolher 1º de maio como Dia do Trabalho, os participantes desse encontro prestaram uma homenagem aos operários dos Estados Unidos. É que, três anos antes, os americanos organizaram uma gigantesca campanha por melhores condições de trabalho, fazendo mais de 1 500 greves em todo o país. Uma das principais reivindicações era a garantia da jornada de oito horas diárias, pois na época alguns operários trabalhavam até 14 horas por dia. Chicago se tornou um dos principais centros de protestos e uma das manifestações na cidade terminou em tragédia. "A polícia reprimiu um movimento de forma violenta, ocasionando a morte de quatro operários.

Esses fatos ocorreram no dia 1º de maio de 1886, passando essa data a simbolizar a luta dos trabalhadores", afirma o juiz Pedro Paulo Teixeira Manus, professor de Direito do Trabalho da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Após a Segunda Guerra, na União Soviética, as passeatas comemorativas e os desfiles realizados no dia 1º de maio tornaram-se importantes eventos políticos. Mas a data nunca foi reconhecida em países como Estados Unidos e Canadá, por causa de sua associação aos movimentos de esquerda.

História do Dia do Trabalho

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O Dia do Trabalho é comemorado em 1º de maio. No Brasil e em vários países do mundo é um feriado nacional, dedicado a festas, manifestações, passeatas, exposições e eventos reivindicatórios.

A História do Dia do Trabalho remonta o ano de 1886 na industrializada cidade de Chicago (Estados Unidos). No dia 1º de maio deste ano, milhares de trabalhadores foram às ruas reivindicar melhores condições de trabalho, entre elas, a redução da jornada de trabalho de treze para oito horas diárias. Neste mesmo dia ocorreu nos Estados Unidos uma grande greve geral dos trabalhadores.

Dois dias após os acontecimentos, um conflito envolvendo policiais e trabalhadores provocou a morte de alguns manifestantes. Este fato gerou revolta nos trabalhadores, provocando outros enfrentamentos com policiais. No dia 4 de maio, num conflito de rua, manifestantes atiraram uma bomba nos policiais, provocando a morte de sete deles. Foi o estopim para que os policiais começassem a atirar no grupo de manifestantes. O resultado foi a morte de doze protestantes e dezenas de pessoas feridas.

Foram dias marcantes na história da luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho. Para homenagear aqueles que morreram nos conflitos, a Segunda Internacional Socialista, ocorrida na capital francesa em 20 de junho de 1889, criou o Dia Mundial do Trabalho, que seria comemorado em 1º de maio de cada ano.

Aqui no Brasil existem relatos de que a data é comemorada desde o ano de 1895. Porém, foi somente em setembro de 1925 que esta data tornou-se oficial, após a criação de um decreto do então presidente Artur Bernardes.

Fatos importantes relacionados ao 1º de maio no Brasil:

- Em 1º de maio de 1940, o presidente Getúlio Vargas instituiu o salário mínimo. Este deveria suprir as necessidades básicas de uma família (moradia, alimentação, saúde, vestuário, educação e lazer)

- Em 1º de maio de 1941 foi criada a Justiça do Trabalho, destinada a resolver questões judiciais relacionadas, especificamente, as relações de trabalho e aos direitos dos trabalhadores.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

História da Civilização Francesa

As culturas mais antigas registradas são as do paleolítico (50000-8000 a.C.), que deixaram rica herança artística de pinturas rupestres, como as de Lascaux.


Os gregos, no século VII a.C., estabeleceram uma colônia em Marselha e negociaram com o interior através do vale do Ródano. No século V a.C. a cultura de La Tène se extendeu do leste da Gália a todo o resto do mundo celta.

Em 121 a.C., os romanos ocuparam Marselha, a que chamaram Massilia, e fundaram outros assentamentos no interior, que constituíram a base territorial da província romana da Gália Narbonense. Júlio César conquistou o resto da Gália entre 58 e 51 a.C., consolidando o poder romano.

Ao longo de todo o século IV da nossa era, pequenos grupos de germanos se haviam assentado na Gália por meio de pactos com as autoridades romanas. Em 406, este movimento se converteu em invasão quando os vândalos, os suevos e os alanos atravessaram a fronteira e se espalharam através da Gália. Em 412, os visigodos se estabeleceram no sul e em 440 os burgúndios na Gália oriental.

No último quarto do século V, quando diminuiu a autoridade imperial romana na parte ocidental do Império, os francos sálios conquistaram a Gália. Seu rei, Clodoveu I, ao converter-se ao cristianismo em 496, pôde consolidar seu domínio sobre o país.

A dinastia de Clodoveu, os merovíngios, governou até o ano 751. De acordo com o costume francês, todas as possessões do rei, inclusive o título real, se dividiam, com sua morte, entre seus filhos. Devido a esta prática, a França merovíngia se caracterizou por uma contínua desunião que culminou na guerra civil do século VI. No final do século VII, um mordomo do palácio, Pepino de Herstal, mostrando-se superior a seus rivais, estendeu com êxito sua autoridade sobre os ducados francos da Nêustria e da Borgonha. Em 751 Pepino, o Breve, depôs o último rei merovíngio e foi coroado rei dos francos.

A nova dinastia — posteriormente denominada carolíngia, por causa de seu membro mais destacado, Carlos Magno — se consolidou com a aliança estabelecida por Pepino com o Papado. Em troca da ajuda dos francos contra os lombardos, que estavam invadindo o território papal na Itália, o papa Estêvão II aprovou a pretensão ao trono dos carolíngios. Com a morte de Pepino (768), Carlos Magno se converteu em rei até o ano 800, quando foi coroado pelo papa Leão III com o título de Imperador dos Romanos.

Os ataques dos vikings e os problemas ocorridos após o reinado de seu filho Luís I, o Piedoso, significaram o início da decadência do Império carolíngio.

Luís decretou em 817 que seu filho mais velho, Lotário I, herdaria o Império e que seus três filhos mais jovens, Pepino de Aquitânia, Luís II, o Germânico, e Carlos, o Calvo, teriam reinos a ele subordinados. A divisão deu lugar a uma série de conflitos que só foram resolvidos em 843, com o Tratado de Verdun.

A desunião dos francos facilitou as incursões dos vikings que, em 911 e sob o comando de Rollon, obtiveram de Carlos III, o Simples, o território do curso inferior do Sena, que recebeu o nome de Normandia.

Com a morte de Luís V, último rei carolíngio, Hugo I Capeto iniciou a dinastia dos Capetos. Do ano 987 até 1328, a coroa foi transmitida sem interrupções na linha masculina direta.

A catedral de Chartres é um dos edifícios góticos mais famosos do mundo graças, em grande parte, a sua decoração escultórica e a suas janelas, que conservam a maior parte dos vitrais originais. A construção foi iniciada em 1194, após o incêndio que destruiu a antiga catedral situada no mesmo local. As duas torres na fachada oeste foram construídas com trezentos anos de diferença e têm diferentes formas e alturas, devido a modificações do estilo arquitetônico. O capitel, do final do período românico, em primeiro plano, é datado do século XIII e a agulha norte, do final do período gótico, ao fundo, é do século XVI.

Luís VI, o Gordo, consolidou o poder real na Île-de-France, região com centro em Paris, que era o feudo hereditário da família. Felipe II Augusto, por intermédio de seu primeiro matrimônio, conseguiu novos territórios no norte da França — Artois, Valois e Vermandois. Também assegurou o controle real sobre Vexin, uma área pequena, porém vital, no rio Sena, por constituir a fronteira entre a Normandia e a Île-de-France.

Em 1204, Felipe empreendeu a conquista militar da Normandia e de Anjou. Dez anos depois, o monarca francês assegurou os territórios conquistados ao vencer uma coalizão formada por Inglaterra, Flandres e o Sacro Império Romano na batalha de Bouvines.

Luís VIII, o Leão, dirigiu uma campanha que terminou com a expansão do domínio real em direção à costa mediterrânea.

Felipe IV, que reinou entre 1285 e 1314, foi o último dos grandes reis Capetos e fortaleceu amplamente os poderes régios. O rei anexou com êxito o Franco Condado, Lyon e partes da Lorena, mas fracassou em seu objetivo de controlar Flandres.

A intervenção de Felipe IV em Flandres foi bastante onerosa, o que o levou a tentar gravar com impostos o clero, provocando agudo conflito com o papa Bonifácio VIII.

Entre 1314 e 1328, três filhos de Felipe IV — Luís X (e seu filho João I, o Póstumo, que só viveu alguns meses), Felipe V e Carlos IV, o Belo — subiram ao trono sucessivamente e todos morreram sem deixar nenhum herdeiro varão. Com a morte de Carlos IV, a coroa passou ao sobrinho de Felipe IV, Felipe de Valois, que reinou como Felipe VI de 1328 a 1350, começando a dinastia Valois. O rei inglês Eduardo III, em 1337, reivindicou a condição de herdeiro do trono francês, por ser neto de Felipe IV, e os dois reinos entraram em conflito, iniciando-se a Guerra dos Cem Anos.

A segunda metade do século XIV foi um período marcado por várias manifestações de mal-estar social. Com uma economia deprimida, os custos da guerra continuaram a se avolumar. Durante este período os Estados Gerais, convocados pela primeira vez por Felipe V, conseguiram grande poder.

Durante o reinado de Carlos VI (1380-1422), o rei inglês Henrique V invadiu a França, derrotou o exército francês na batalha de Azincourt e tomou o controle da maior parte da França ao norte do Loire.

A revitalização francesa sob Carlos VII (reinou de 1422 a 1461) começou com a figura de Joana d'Arc. A guerra continuou por mais de 20 anos e em 1453 os ingleses tiveram que ceder todos os seus territórios continentais, com exceção de Calais.

Luís XI, que reinou de 1461 a 1483, consolidou a autoridade real, incorporou a maior parte do ducado de Borgonha a seu reino e utilizou as receitas reais para proteger, facilitar e estimular o desenvolvimento econômico.

Carlos VIII, rei de 1483 a 1498, casou-se com Ana, duquesa da Bretanha. Graças a esse casamento, o último principado feudal independente se incorporou à Coroa francesa.

Com apenas 13 anos, Joana d'Arc convenceu um conselho de teólogos de que Deus lhe havia encomendado salvar a França, durante a guerra dos Cem Anos com a Inglaterra. Conduziu a França a diversas vitórias militares sobre os ingleses em 1429. Um ano depois, ao dirigir uma batalha sem autorização, foi feita prisioneira, acusada e condenada por heresia, por pretender tratar com Deus sem levar em conta a Igreja Católica. Joana d'Arc foi queimada na fogueira em 1431, mas depois de 25 anos a Igreja modificou a condenação e mais tarde canonizou-a.

No final do século XV, a França havia superado as divisões territoriais de seu passado feudal e virou uma monarquia nacional que incorporava a maioria dos territórios compreendidos entre os Pireneus e o canal da Mancha. Na metade do século seguinte, a paz interna e o crescimento da economia elevaram a posição social dos grandes comerciantes, dos banqueiros e dos cobradores de impostos, enquanto a nobreza, dependente de receitas fixas e com as dívidas em aumento, viu como a inflação ameaçava seu poder econômico e social.

Os três primeiros monarcas do período — Carlos VIII, Luís XII e Francisco I — aproveitaram o forte crescimento da nação e a estabilidade interna para reclamar pelas armas o reino de Nápoles e o ducado de Milão. Na década de 1520, as guerras italianas se converteram em ampla disputa entre a França e a dinastia dos Habsburgo, reinante na Espanha e na Áustria, um enfrentamento que continuou de forma intermitente durante um século e meio. As guerras italianas terminaram com a Paz de Cateau-Cambrésis (1559), negociada pelo filho de Francisco I, Henrique II.

O aumento da população, sem o correspondente aumento da produção, e a inflação monetária, levaram a maioria do povo à pobreza. A Reforma protestante, que se propagou a partir da Alemanha durante o reinado de Francisco I, havia atraído muitos seguidores; mas nas décadas de 1540 e 1550, os postulados e doutrinas de João Calvino conseguiram o apoio de muitos partidários entre a nobreza e o povo simples. Henrique II considerou o calvinismo uma ameaça à autoridade real e tentou acabar com ele. Sob o reinado dos três filhos que o sucederam, as guerras de religião (onde se misturaram conflitos religiosos, políticos e dinásticos) dilaceraram o país.

Em 1584 Henrique de Navarra, descendente de Luís IX e chefe dos huguenotes (nome que receberam os protestantes franceses), passou a ser o herdeiro do trono, ao qual ascendeu com o nome de Henrique IV da França, estabelecendo a dinastia dos Bourbon no trono francês.

Em 1598, Henrique IV tentou assegurar a paz interna em seus domínios mediante a promulgação do Edito de Nantes, que garantia a liberdade de consciência.

A Henrique sucedeu seu filho, Luís XIII. Em 1624, escolheu como primeiro ministro o cardeal de Richelieu, que foi o governante efetivo da França durante os 18 anos seguintes. As principais metas de Richelieu consistiram em eliminar todos os rivais do poder real e conter as ameaças do estrangeiro.

O palácio e os jardins de Versalhes, próximos a Paris, são famosos por sua beleza e luxo. Quase 101 hectares de jardins meticulosamente planejados rodeiam o impressionante palácio barroco de mais de 1.300 quartos. A construção do palácio foi iniciada em 1661, durante o reinado de Luís XIV, e concluída 40 anos mais tarde. Foi a residência real até a Revolução Francesa de 1789.

Quando Richelieu se converteu no primeiro ministro do rei, a guerra dos Trinta Anos se encontrava em sua primeira década. Em 1635, Richelieu introduziu a França na guerra, como aliada dos protestantes suecos e holandeses contra os Habsburgo católicos. A Paz de Vestfália (1648) concedeu a maior parte da Alsácia ao reino da França e assegurou a contínua divisão e debilidade dos territórios alemães. Mediante a Paz dos Pireneus (1659), firmada com a Espanha, a França conseguiu Artois no norte e o Roussillon na fronteira espanhola.

Luís XIV governou inicialmente tendo como primeiro ministro o protegido de Richelieu, o cardeal Giulio Mazarino, que concluiu de forma vitoriosa a guerra com os Habsburgo e derrotou no interior o primeiro esforço coordenado da aristocracia e da burguesia para alterar a concentração de poder nas mãos do rei realizada por Richelieu. Em 1648, o Parlamento de Paris e os burgueses da cidade, unidos, protestaram contra os elevados impostos e, com o apoio dos artesãos, provocaram uma rebelião contra a Coroa, denominada A Fronda.

Com a morte do cardeal Mazarino em 1661, Luís XIV governou a França pessoalmente e se instituiu como modelo do monarca absolutista que governava por direito divino. O monarca era o representante de Deus na terra e a obediência do clero proporcionou-lhe a justificação teológica de seu direito divino. Um movimento dissidente, o jansenismo, que se desenvolveu no século XVII, passou a constituir ameaça política, razão pela qual Luís XIV lutou contra ele desde seus primórdios.

O ministro das Finanças, Jean-Baptiste Colbert, foi o grande expoente da era do mercantilismo. Antes de finalizar o reinado, no entanto, as despesas de guerra haviam arruinado a maior parte do trabalho de Colbert no âmbito econômico. Em 1685, Luís XIV revogou o Edito de Nantes, o que fez com que a maioria dos huguenotes abandonassem a França, provocando grandes perdas econômicas.

Carlos II, rei da Espanha, não tinha herdeiro direto, o que o levou a nomear para sucedê-lo o neto de Luís XIV, Felipe de Anjou. Os outros Estados europeus temeram as conseqüências do grande aumento de poder dos Bourbon e se uniram em coalizão para evitá-lo. A Guerra da Sucessão Espanhola durou treze exaustivos anos. No final, Luís conseguiu seu principal objetivo e seu neto se converteu em rei da Espanha com o nome de Felipe V.

Luís XIV morreu em 1715 e foi sucedido por Luís XV. Tanto a ele como a seu sucessor, Luís XVI, faltava a habilidade necessária para adaptar as instituições nacionais às condições mutáveis do século XVIII. Não obstante, foi uma das épocas mais importantes da história do país. A França era a nação mais rica e poderosa do continente. O século se caracterizou por um extraordinário crescimento econômico e desenvolvimento cultural.

A nobreza conduziu nos parlamentos (tribunais) das províncias a oposição às iniciativas reais, reivindicando que os decretos reais fossem submetidos à aprovação parlamentar, com o objetivo de controlar o governo.

A oposição da classe intelectual à monarquia foi conduzida pelos filósofos, que sustentavam que toda a população tinha certos direitos naturais — vida, liberdade e propriedade — e que os governos existiam para garantir esses direitos. Estas idéias foram especialmente apreciadas pela burguesia, que havia aumentado em número, riqueza e ambição e ansiava estender sua destacada posição sócioeconômica ao âmbito político, participando das decisões do governo. Através da burguesia, as idéias penetraram as camadas inferiores da sociedade e chegaram a formar parte da cultura popular antes da revolução.

Os problemas financeiros do governo se acentuaram depois de 1740 pela retomada dos confrontos bélicos. A guerra de sucessão austríaca (1740-1748) e a Guerra dos Sete Anos (1756-1763) foram conflitos europeus nos quais se decidia a hegemonia na Europa central e nas colônias. A França perdeu seu vasto império colonial na América e na Índia. Em 1778, os franceses intervieram na Guerra da Independência Norte-americana, apoiando a rebelião dos colonos para, dessa forma, debilitar a Grã-Bretanha e recuperar as colônias perdidas. No entanto, as esperanças francesas não se cconcretizaram, apesar do êxito dos insurgentes, e sua participação na guerra incrementou a já crescente e onerosa dívida nacional.

A responsabilidade de enfrentar a crise financeira recaiu sobre o jovem e indeciso Luís XVI. Depois de os parlamentos provinciais bloquearem todos os programas de reforma apresentados pelos ministros e improvisarem uma Assembléia de Notáveis em 1788, Luís obrigou o Parlamento de Paris a aceitar os editos reais que privavam os parlamentares de seus poderes políticos. Juízes, nobres e clérigos resistiram e tentaram evitar a aplicação do decreto real; conseguiram o apoio do exército e de uma população afetada por altos índices de desemprego e pelo preço do pão. Em julho, a assembléia de uma das províncias meridionais votou pela anulação da cobrança de impostos até que o rei convocasse uma sessão dos Estados Gerais, inativos desde 1615. Luís concordou em reunir os Estados Gerais em maio de 1789. A aristocracia havia triunfado na primeira etapa da Revolução Francesa, a qual terminou com a eleição de uma nova assembléia constituinte, a Convenção Nacional, estabelecida por sufrágio universal masculino, que em 1792 criou a I República francesa.

A Convenção permitiu que o poder executivo se concentrasse no Comitê de Salvação Pública. Este, dominado pela facção radical jacobina, inaugurou o denominado regime do Terror, para eliminar os inimigos da Revolução. O Rei foi julgado e executado em janeiro de 1793.

Em 1794, produziu-se uma reação contra o regime jacobino, que foi eliminado após um golpe de Estado. No ano seguinte, a Convenção Nacional adotou uma Constituição que previa um regime republicano constituído por um Diretório, que exercia o poder executivo, e um poder legislativo dividido em duas câmaras eleitas indiretamente.

O Diretório governou a França durante quatro anos difíceis, devido às convulsões causadas pela revolução e a guerra contínua. No interior, o Diretório era ameaçado à direita pelos monarquistas, desejosos de restaurar a monarquia, e à esquerda pelos jacobinos, determinados a estabelecer uma república democrática. O general Napoleão Bonaparte conduziu um golpe de Estado em 1799 e, junto com seus seguidores, destituiu o Diretório e estabeleceu o Consulado.

Napoleão nomeou-se chefe de Estado. A nova Constituição estabelecia os poderes essenciais do cargo que ele assumia, o de Primeiro Cônsul. Pôs-se à frente de um exército que penetrou na Itália e enviou outro ao sul da Alemanha, e suas vitórias obrigaram a Áustria a firmar a paz em 1801. A Grã-Bretanha, sem aliados e sem comércio com uma Europa cada vez mais dominada pela França, acordou firmar a Paz de Amiens (1802), que acabou com as hostilidades entre os dois países.

A legislação reunida no Código de Napoleão confirmou as principais vitórias obtidas pela Revolução, como a abolição dos privilégios feudais, a igualdade perante a lei e a liberdade de consciência.

Napoleão estabeleceu em 1804 o Império Francês e se coroou imperador. Isto confirmou suas ambições de extender-se além dos limites da França dos Bourbon e, em 1805, reiniciaram-se as Guerras Napoleônicas. Em pouco tempo, se converteu em dono da maior parte da Europa. Mas a própria extensão de suas conquistas fazia difícil mantê-las.

Depois da definitiva derrota do Império em 1815, na batalha de Waterloo, restaurou-se a monarquia na figura de Luís XVIII, irmão do rei decapitado.

Luís XVIII garantiu o cumprimento de uma Constituição, a Carta de 1814, que estabelecia uma monarquia parlamentar e reformas sociais expressadas nos códigos de leis napoleônicos. O regime era representativo, mas não democrático.

Os anos de governo dos moderados levaram, após o assassinato do duque de Berry, herdeiro do trono, em 1820, ao governo dos ultra-realistas com a coroação de seu máximo expoente em 1824, com o nome de Carlos X.

Em 1830 promulgou uma série de decretos para convocar novas eleições, reduzir o número de votantes e restringir a liberdade de imprensa. Isto conduziu a uma série de protestos e Carlos X, abandonado por todos exceto por uma minoria de monarquistas, abdicou. Os deputados ofereceram o trono a Luís Felipe, duque de Orléans, pertencente a um ramo da família dos Bourbon. Revisaram a Constituição para eliminar o poder legislativo do rei e ampliaram, moderadamente, o sufrágio.

A Monarquia de Julho, denominação que recebeu o regime de Luís Felipe, foi dominada pelos acomodados proprietários de terra e alguns homens de negócios e banqueiros, transformando-se em benfeitora da grande burguesia.

A rigidez do governo e a séria depressão econômica de 1846 e 1847 solaparam a base do regime e fizeram com que se propusesse um novo regime republicano como alternativa. Luís Felipe abdicou em 1848. Formou-se um governo provisório e proclamou-se a II República Francesa.

A Constituição da II República, promulgada em 1848, estabelecia um regime presidencialista e unicameral, no qual tanto o presidente da República como a Assembléia eram escolhidos por sufrágio universal masculino. Luís Napoleão Bonaparte foi eleito presidente por maioria, enquanto as eleições parlamentares deram a vitória aos monarquistas, contrários à República. Luís Napoleão tomou o poder com um golpe de Estado em 1851 e um ano depois restaurou o Império e assumiu o nome de Napoleão III.

A Pont des Arts, ponte de pedestres, cruza o Sena no centro de Paris. O Sena é o rio mais importante da França, pois proporciona as conexões entre Paris, centro econômico, político e cultural do país, e outras cidades, incluindo o porto do Havre na costa atlântica.

As conquistas de Luís Napoleão em política interna não condizem com seus fracassos no exterior. A vitória sobre a Rússia na guerra da Criméia (1853-1856) teve como contrapartida o fracasso da tentativa de impedir a ascensão da Prússia e do projeto de conseguir para a França compensações que fizessem frente ao aumento de território e de poder prussiano.

Depois da derrota a Assembléia Nacional, estabelecida para poder firmar um tratado de paz, teve que resistir a um grave conflito interno. Os republicanos radicais de Paris se rebelaram e instauraram um governo municipal independente, a Comuna de Paris, em 1871.

A maioria monarquista da Assembléia Nacional tentou restaurar a monarquia, mas não conseguiu resolver as diferenças entre os pretendentes dos Bourbon e dos Orléans ao trono, razão pela qual os republicanos conseguiram a aprovação de uma Constituição republicana em 1875.

Após a Guerra Franco-prussiana, a segurança nacional foi uma preocupação constante. Seguindo as previsões de Bismarck, o governo francês orientou seus objetivos para a expansão ultramarina e estabeleceu um império colonial na África e na Ásia, o segundo em extensão depois do Império Britânico. Em 1894, a França e a Rússia firmaram uma aliança defensiva que estabelecia ajuda mútua contra ataques alemães ou austro-húngaros. Uma década mais tarde, o temor comum, a Alemanha, estimulou a França e a Grã-Bretanha a resolver suas diferenças coloniais e a iniciar negociações para unificar suas operações militares e navais na Europa. Em 1907, a Grã-Bretanha e a Rússia também haviam resolvido suas diferenças e, junto com a França, formaram a Tríplice Entente, como resposta à Tríplice Aliança, integrada pela Alemanha, Áustria-Hungria e Itália.

O assassinato do herdeiro do trono austro-húngaro pelos nacionalistas sérvios em 1914 precipitou uma nova crise. Os interesses franceses não estavam implicados diretamente na disputa balcânica entre a Áustria-Hungria e a Rússia, mas o governo respaldou seu aliado russo. A Alemanha, apoiando a Áustria-Hungria, declarou guerra à Rússia e, após a negativa francesa de permanecer neutra, declarou guerra à França.

Em 1918, a unificação das forças aliadas, a entrada dos Estados Unidos na guerra e o esgotamento da maquinaria de guerra alemã permitiram aos aliados desenvolver uma ofensiva que obrigou o governo alemão a pedir a paz. Em 11 de novembro de 1918, a recém estabelecida República de Weimar, na Alemanha, aceitou o armistício e firmou-se a paz no Tratado de Versalhes.

O problema interno mais agudo depois da guerra foi a estabilização do franco. A desvalorização prejudicou duramente a burguesia, que havia sido núcleo de apoio social à República e que dependia de suas economias. Os últimos anos da década de 1920 e os primeiros de 1930 significaram um breve interlúdio de prosperidade e calma, que terminaram com a chegada à Europa dos efeitos da Grande Depressão e com o ressurgimento, depois de 1933, de uma Alemanha agressiva.

Ao longo das décadas de 1920 e 1930, a segurança nacional continuou sendo a principal preocupação do governo. A Grã-Bretanha e os Estados Unidos não ofereceram garantias de evitar o rearmamento alemão, razão pela qual a França tentou conseguir certa segurança estabelecendo alianças com a Bélgica e com os estados da Europa oriental que poderiam ameaçar a Alemanha com uma guerra de duas frentes, caso a França fosse atacada. Adolf Hitler ascendeu ao poder na Alemanha em 1933 e começou o processo de rearmamento. Em setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polônia, e a França e a Grã-Bretanha declararam-lhe guerra, o que deu início à II Guerra Mundial.

Terminada a guerra, o Comitê Francês de Libertação Nacional transformou-se em governo provisório da República francesa. Charles de Gaulle dominou o governo durante os 15 meses seguintes, mas cedeu seu cargo em 1946, quando a recém eleita Assembléia Constituinte se mostrou em desacordo com seus pontos de vista sobre a necessidade de um regime presidencialista unicameral.

A IV República foi instituída após a promulgação de uma nova Constituição no final de 1946. As grandes conquistas do regime foram a reforma social e o desenvolvimento econômico. Em 1957, a França uniu-se a outros cinco países europeus ocidentais para fundar a Comunidade Econômica Européia.

Os problemas coloniais (a perda da Indochina e a guerra de independência da Argélia) acabaram com a IV República. Em 1958, a Assembléia Nacional outorgou a De Gaulle plenos poderes para governar o país durante seis meses e para redigir a Constituição da V República, aprovada por referendo popular.

Sob a nova Constituição francesa, as colônias conseguiram autonomia de governo dentro da Comunidade Francesa, mas os nacionalistas de cada enclave colonial ansiavam conseguir a independência e em 1960 revisou-se a Constituição, para permitir a separação amistosa da França das antigas colônias.

Os acontecimentos do Maio francês, ocorridos em 1968, desembocaram na demissão de De Gaulle, em 1969. Nas eleições, Georges Pompidou foi escolhido presidente da República.

O falecimento de Pompidou aconteceu repentinamente em 1974. Ganhou as eleições o candidato dos republicanos independentes, Valéry Giscard d'Estaing.

Em 1981, após a vitória socialista nas urnas, François Mitterrand substituiu Giscard como presidente da República. O governo nacionalizou a maioria dos bancos e das firmas industriais, elevou os impostos e ampliou os benefícios sociais. Em 1982 e 1983, uma recessão econômica fez com que o governo impusesse medidas de austeridade. Como conseqüência, em 1986 Mitterrand teve que conviver com Jacques Chirac como primeiro ministro. Esta foi a primeira vez desde 1958 em que partidos opostos governaram juntos, no denominado governo de coabitação. Depois de várias mudanças de governo, as eleições presidenciais de 1995 levaram Jacques Chirac à presidência da República, ao mesmo tempo em que o socialista Alain Juppé assumia a chefia do governo.

domingo, 9 de novembro de 2014

Proclamação da República do Brasil


O processo histórico em que se desenvolveu o fim do regime monárquico brasileiro e a ascensão da ordem republicana no Brasil perpassa por uma série de transformações em que visualizamos a chegada dos militares ao poder. De fato, a proposta de um regime republicano já vivia uma longa história manifestada em diferentes revoltas. Entre tantas tentativas de transformação, a Revolução Farroupilha (1835-1845) foi a última a levantar-se contra a monarquia.

Podemos destacar a importância do processo de industrialização e o crescimento da cafeicultura enquanto fatores de mudança sócio-econômica. As classes médias urbanas e os cafeicultores do Oeste paulista buscavam ampliar sua participação política através de uma nova forma de governo. Ao mesmo tempo, os militares que saíram vitoriosos da Guerra do Paraguai se aproximaram do pensamento positivista, defensor de um governo republicano centralizado.

Além dessa demanda por transformação política, devemos também destacar como a campanha abolicionista começou a divulgar uma forte propaganda contra o regime monárquico. Vários entusiastas da causa abolicionista relacionavam os entraves do desenvolvimento nacional às desigualdades de um tipo de relação de trabalho legitimado pelas mãos de Dom Pedro II. Dessa forma, o fim da monarquia era uma opção viável para muitos daqueles que combatiam a mão de obra escrava.

Até aqui podemos ver que os mais proeminentes intelectuais e mais importantes membros da elite agroexportadora nacional não mais apoiavam a monarquia. Essa perda de sustentação política pode ser ainda explicada com as consequências de duas leis que merecem destaque. Em 1850, a lei Eusébio de Queiroz proibiu a tráfico de escravos, encarecendo o uso desse tipo de força de trabalho. Naquele mesmo ano, a Lei de Terras preservava a economia nas mãos dos grandes proprietários de terra.

O conjunto dessas transformações ganhou maior força a partir de 1870. Naquele ano, os republicanos se organizaram em um partido e publicaram suas ideias no Manifesto Republicano. Naquela altura, os militares se mobilizaram contra os poderes amplos do imperador e, pouco depois, a Igreja se voltou contra a monarquia depois de ter suas medidas contra a presença de maçons na Igreja anuladas pelos poderes concedidos ao rei.

No ano de 1888, a abolição da escravidão promovida pelas mãos da princesa Isabel deu o último suspiro à Monarquia Brasileira. O latifúndio e a sociedade escravista que justificavam a presença de um imperador enérgico e autoritário, não faziam mais sentido às novas feições da sociedade brasileira do século XIX. Os clubes republicanos já se espalhavam em todo o país e naquela mesma época diversos boatos davam conta sobre a intenção de Dom Pedro II em reconfigurar os quadros da Guarda Nacional.

A ameaça de deposição e mudança dentro do exército serviu de motivação suficiente para que o Marechal Deodoro da Fonseca agrupasse as tropas do Rio de Janeiro e invadisse o Ministério da Guerra. Segundo alguns relatos, os militares pretendiam inicialmente exigir somente a mudança do Ministro da Guerra. No entanto, a ameaça militar foi suficiente para dissolver o gabinete imperial e proclamar a República.

O golpe militar promovido em 15 de novembro de 1889 foi reafirmado com a proclamação civil de integrantes do Partido Republicano, na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Ao contrário do que aparentou, a proclamação foi consequência de um governo que não mais possuía base de sustentação política e não contou com intensa participação popular. Conforme salientado pelo ministro Aristides Lobo, a proclamação ocorreu às vistas de um povo que assistiu tudo de forma bestializada.

Fonte:brasilescola

terça-feira, 20 de março de 2012

Mortes incomuns

Esta é uma lista de mortes incomuns, relacionando cronologicamente casos de mortes registrados no decorrer da história que tenham ocorrido em circunstâncias incomuns.

Crisipo de Solis
  • 270 a.C.: conforme o relato de Ateneu, o intelectual grego Filetas de Cós teria estudado tão intensamente argumentos e palavras usadas erroneamente que definhou-se, morrendo de fome. O estudioso Alan Cameron especulou que Filetas teria morrido de uma doença degenerativa que, de acordo com o anedotário de seus contemporâneos, fora provocada por pedantismo.
  • 207 a.C.: Crisipo de Solis, um filósofo estóico grego, teria morrido de rir ao ver seu burro, bêbado, tentando comer figos.
  • 212: Lucius Fabius Cilo, senador romano do século II, "...engasgado... com um fio de cabelo em uma golada de leite".
  • 415: Hipátia, matemática e filósofa grega pagã, assassinada por uma turba de cristãos, tendo o corpo dilacerado por conchas de ostras (ou cacos de cerâmica, segundo outra versão). Depois de morta, o corpo foi lançado a uma fogueira.
Hipátia de Alexandria 
  • 1410: Martim I de Aragão morre de uma combinação fatal de gargalhadas incontroláveis e indigestão.
  • 1478: Jorge, Duque de Clarence, é executado por afogamento em um barril de vinho de malvasia, método escolhido por ele mesmo.
  • 1649: Sir Arthur Aston, comandante das guarnições Realistas durante o Cerco de Drogheda, é espancado até a morte com a própria perna de madeira, que soldados Cabeças Redondas pensavam ocultar moedas de ouro.
  • 1660: Thomas Urquhart, aristocrata escocês, polímata e primeiro tradutor de Rabelais para o inglês, teria morrido de rir ao saber que Carlos II tomara o trono da Inglaterra.
  • 1671: François Vatel, cozinheiro de Luís XIV, cometeu suicídio pois sua encomenda de peixes atrasara e ele não pôde suportar a vergonha de adiar uma refeição do rei. Seu corpo foi descoberto por um estafeta que fora enviado para avisá-lo da chegada do pedido. A autenticidade desta história não foi comprovada.
  • 1673: Molière, ator e dramaturgo francês, morreu ao ser acometido por um violento ataque de tosse enquanto representava o papel principal de sua peça Le Malade imaginaire (O Doente Imaginário).
  • 1687: Jean-Baptiste Lully, compositor, morreu de septicemia, provocada por ele mesmo ao atingir seu pé com um bastão enquanto conduzia vigorosamente um Te Deum. A apresentação era em comemoração à recuperação de uma enfermidade que acometeu o rei Luís XIV.
  • 1771: Adolfo Frederico, rei da Suécia, morreu de problemas digestivos em 12 de fevereiro de 1771 depois de ter consumido uma refeição composta de lagosta, caviar, chucrute, arenque defumado e champanhe, que culminou com 14 porções de sua sobremesa favorita: semla servida em uma tigela de leite quente. Ele é lembrado pelos estudantes suecos como "o rei que morreu de tanto comer".
  • 1814: Dilúvio de cerveja de Londres, oito pessoas morrem afogadas quando 323.000 galões imperiais (1.468.000 litros) de cerveja da the Meux and Company Brewery estouram de suas cubas e jorram para as ruas, criando um "pequeno dilúvio".
Grigori Rasputin
  • 1916: Grigori Rasputin, místico russo, teria sido envenenado enquanto jantava com um inimigo político. Baleado na cabeça, recebe mais três tiros, é espancado e então jogado em um rio congelado após ter sido castrado. Quando seu corpo retornou à superfície, uma autópsia revelou que a causa da morte fora hipotermia. Existem, contudo, dúvidas acerca da credibilidade deste relato. Outra versão diz que ele foi envenenado, baleado e apunhalado, após o que teria fugido, tendo sido encontrado depois de se afogar em um rio congelado.
  • 1978: Janet Parker, fotógrafa médica britânica, morre de varíola dez meses depois da doença ser erradicada, quando um pesquisador no laboratório onde ela trabalhava liberou acidentalmente uma amostra do vírus no sistema de circulação de ar do prédio. Acredita-se que ela seja a última vítima de varíola da história.
  • 1980: Steve Took, músico inglês, baterista da banda T. Rex, morre engasgado com a cereja de um cocktail, consequência provável de consumo de morfina e cogumelos alucinógenos.
fonte: Wikipedia